Brasília, 26 de novembro – Melhora na auto-estima, na aceitação social e nas relações familiares e profissionais. Esses são alguns dos resultados da parceria entre o Governo do Distrito Federal e a Fundação de Amparo ao Preso (Funap), desde o início do ano. Apenas na Secretaria de Fazenda do DF (SEF/DF), 23 mulheres tiveram a oportunidade de reescrever suas histórias ao serem beneficiadas pela iniciativa. Destas, 13 continuam em atividade. O contrato se estende também a detentos do sexo masculino e outros órgãos como a Secretaria de Saúde.

“Aqui me sinto útil e feliz, pois todos me tratam com carinho e respeito. Estar com as atenções voltadas ao trabalho faz com que ocupe meu tempo com coisas produtivas e não fique depressiva ou pensando nos problemas”, descreve a copeira Sheyla Silva, 41 anos. Ela conta que as maiores contribuições do programa foram a melhora no desenvolvimento pessoal e no convívio com as pessoas. “As relações amigáveis construídas no trabalho deram ao meu mundo um brilho”, sorri.

Opinião compartilhada pela colega de copa Vera de Oliveira, 49 anos, há um mês na SEF. “Enquanto permaneci na prisão, trabalhava com artesanato para tentar diminuir minha pena. Mesmo assim me sentia como um animal enjaulado”. Ela explica que as agentes penitenciárias a tratavam mal e, com medo, não se aproximavam. “Desde que comecei a trabalhar aqui, sou tratada respeitosamente, sem preconceitos. Me sinto melhor, não mais como um bicho. Isso tem me ajudado a recomeçar”, comenta Vera.
Caso semelhante de Jordão Gomes, 28 anos, que viu na Secretaria uma oportunidade de mudança. Desde que começou a trabalhar já tinha em mente transformar sua vida. Tal motivação lhe rendeu uma bolsa de estudos para cursar Análise de Sistemas. “Espero que ao ter a pena cumprida encontre outras oportunidades de emprego e de crescimento. Estou mostrando que mudei e que sou uma pessoa melhor”, finalizou.
De acordo com o gerente de Infraestrutura da Secretaria de Fazenda, Wagner Fraga, o contrato tem duração até o término da pena ou com o perdão dela. “Hoje, nos contratos vigentes, contamos com mulheres e homens, sendo que das mulheres oito atuam no apoio administrativo e cinco como copeiras”, informou. Ele diz ainda que os profissionais podem ser desligados em casos de falta de produtividade, faltas ou comportamento inadequado.
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