imagesBrasília, 16 de março – Analistas acompanham movimentos do governo e do Congresso depois das manifestações. A preocupação é que os projetos que arrumam as contas públicas sejam abandonados. O dólar pode superar os R$ 3,30 hoje e a bolsa de valores, recuar

A tensão no governo é enorme. Apesar de o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do secretário-geral da Presidência, Miguel Rossetto, terem minimizado as manifestações de ontem contra a presidente Dilma Rousseff, é grande a preocupação com o que pode ocorrer hoje no mercado financeiro. Entre os analistas, há quem aposte que o dólar poderá romper os R$ 3,30 logo pela manhã e caminhar rapidamente para os R$ 3,40, com mais um tombo na bolsa de valores, caso os investidores identifiquem fragilidade ainda maior do Palácio do Planalto nas negociações com o Congresso.

Na avaliação da economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, o maior temor dos investidores é que tanto o governo quanto o Congresso tenham recaídas populistas, que ponham em risco o ajuste fiscal prometido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Do lado da presidente Dilma, poderia haver a desistência de se levar adiante restrições a programas como o seguro-desemprego e o abono salarial. Do lado do Legislativo, simplesmente enterrar todos os projetos encaminhados pela equipe econômica.

Os analistas sabem que a maior parte do arrocho nas contas públicas proposto por Levy depende do Executivo. Mas consideram importantíssimo que todas as medidas sejam implantadas com o apoio da base aliada, para reforçar a certeza de que, no meio do caminho, não haverá recuos por parte do Palácio do Planalto, sobretudo quando o desemprego mostrar as caras. “É certo que a presidente Dilma depende do ajuste fiscal para se fortalecer. Mas as medidas propostas têm custos e há muitas críticas a elas, principalmente por parte do PT”, afirma Zeina.