Documento havia sido solicitado por deputados distritais contrários ao aumento do preço das passagens de ônibus e de metrô. Ibaneis criticou CLDF.

G1

A Secretaria de Mobilidade do Distrito Federal informou, nesta quinta-feira (23), que encaminhou os cálculos que embasaram o reajuste de 10% nas passagens e ônibus e metrô à Câmara Legislativa do DF. Segundo a pasta, os documentos foram enviados ainda na quarta (22), em resposta a um pedido dos deputados distritais.

Os parlamentares enviaram, no dia 13 de janeiro, um ofício ao governador pedindo a suspensão imediata do reajuste. Na ocasião, o presidente em exercício, deputado Rodrigo Delmasso (Republicanos), disse que um grupo de trabalho apresentaria nova proposta de preços dentro de uma semana.

O pedido de explicações foi enviado ao governo após críticas de deputados distritais ao aumento das passagens. Um grupo de parlamentares chegou a acionar a Justiça contra a medida, mas teve o pedido negado.

“Nós estamos diante de um cartel”, disse a deputada Júlia Lucy (Novo). “Os passageiros são reféns de um sistema com serviço de péssima qualidade. Está o melhor dos mundos para as empresas e o pior dos mundos para os usuários.”

Em resposta ao posicionamento da Câmara Legislativa, o governador Ibaneis Rocha (MDB) fez críticas aos parlamentares, em evento oficial na quarta-feira (22). Segundo o chefe do Executivo local, as decisões tomadas agora são reflexo de “más escolhas” em gestões passadas.

” É fácil criticar o transporte público desta cidade, porque ele realmente não presta”.

O governador também questionou a atuação da CLDF na época em que as empresas de transporte público foram contratadas. “Onde eles [os deputados] estavam quando foi feita essa licitação ruim? Quem fez essa licitação não fui eu. Quem inventou essa tal de tarifa técnica não fui eu.”

Ibaneis se refere à licitação feita em 2011, durante a gestão de Agnelo Queiroz (PT), para a escolha das concessionárias que, hoje, prestam o serviço de transporte pública na capital – cinco foram contratadas pelo GDF.

Já a tarifa técnica, mencionada por ele, corresponde ao dinheiro repassado pelo GDF a estas empresas. Na prática, os usuários pagam apenas uma parte do valor real e o governo subsidia o restante. Entre 2014 e 2018, as concessionárias receberam juntas R$ 2,5 bilhões, segundo levantamento do Ministério Público.

“Não fui eu que inventei passe livre pra todo mundo. Alguém paga essa conta e tem que ser reajustada”, disse Ibaneis.”

O GDF ainda pretende fazer ajustes na tarifa técnica que vão acarretar em R$ 264 milhões de despesas retroativas, por conta de um “desequilíbrio do contrato”, segundo o próprio governo. O valor é quase o dobro do que elas vão arrecadar com o aumento das passagens.

Nova licitação

Diante deste cenários e das críticas feitas ao sistema de transporte público, Ibaneis afirmou que vai abrir uma nova licitação até o fim de 2020 para a readequação do sistema de transporte público e a contratação de novas empresas.

“Não se muda dez anos de descaso da noite pro dia”, desabafou o governador”.

Anunciado em 9 de janeiro, o reajuste das passagens do transporte público foi oficializado no dia seguinte e começou a valer no último dia 13. Com o aumento, os novos valores das tarifas ficaram em:

  • Circular interna: de R$ 2,50 para R$ 2,70
  • Ligações curtas: de R$ 3,50 para R$ 3,80
  • Metrô/Longas/Integração: de R$ 5 para R$ 5,50

Ao justificar o reajuste, o secretário de Mobilidade do DF, Valter Casimiro, afirmou que há um “desequilíbrio” entre a tarifa cobrada dos usuários e o custo do sistema como um todo. Segundo o secretário, no ano passado, os subsídios pagos pelo governo para o transporte público chegaram a R$ 700 milhões.