download (1)Brasília, 07 de dezembro – A possibilidade de um longo e arrastado processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff sangraria não apenas a titular do Palácio do Planalto, mas todo o Brasil, na visão de analistas políticos e econômicos. O país, afundado em uma recessão econômica — que pode virar uma depressão —, com índices de desemprego crescentes, inflação de dois dígitos e retrocessos até mesmo no processo eletrônico de eleições, passará por tempos ainda mais sombrios nos próximos meses.

Alguns têm esperança de que, ao fim de tudo, aconteça uma virada de página. “O país já está em crise, paralisado, há dois anos. Se as coisas se resolverem em quatro meses, ótimo. Mas elas precisam se resolver”, defende o cientista político Carlos Melo, do Insper. “Se a presidente Dilma for afastada, forma-se um governo de coalizão entre PMDB e PSDB e retoma-se a confiança na economia. Se ela não for afastada, que se vire a página, se esqueça de Eduardo Cunha e comece a governar”, completa o professor do Insper.

Até mesmo o ritmo do processo é indefinido. Para o diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antonio Augusto de Queiroz, quatro fatores podem influenciar o andamento do impeachment: o comportamento do PMDB; a pressão das ruas; o humor do mercado; e uma quebra de confiança na presidente Dilma Rousseff.