downloadBrasília, 01 de junho – Apesar de a economia brasileira estar bastante enfraquecida e o Produto Interno Bruto (PIB) ter encolhido 0,2% no primeiro trimestre do ano, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na última sexta-feira, o Banco Central (BC) não deve dar trégua nos juros esta semana. O consenso do mercado é que, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), amanhã e depois, os diretores do órgão elevem a taxa básica da economia (Selic) em mais 0,50 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Com isso, o BC manterá a coerência do discurso de que está “vigilante” com a carestia e empenhado em levar a inflação para o centro da meta de 4,5% ao ano.

A maioria dos especialistas ouvidos pelo Correio aposta que haverá pelo menos mais uma nova alta na Selic, de 0,25 ponto percentual, elevando a taxa, que baliza os empréstimos bancários, para 14% até o fim do ano. O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, destaca que o BC tem abusado da palavra “vigilante” em seus comunicados, indicando que manterá o ciclo de alta dos juros — iniciado em outubro de 2014, logo depois das eleições presidenciais. Até porque, segundo ele, o presidente do banco, Alexandre Tombini, afirma, em todos os lugares, que a inflação convergirá para o centro da meta, em dezembro de 2016. “Está clara a intenção, e isso dá um sinal de que o ciclo de aperto monetário continua”, avalia Rosa. Ele acredita, no entanto, que, diante da fraca atividade econômica, as elevações se encerram quando a taxa alcançar 14%.

A divulgação do PIB fraco no primeiro trimestre, na opinião do economista-chefe do banco Besi Brasil, Jankiel Santos, não mudará a cabeça do BC sobre a necessidade do aperto monetário. “O Banco Central já esperava queda da atividade no início deste ano”. Para Santos, a manutenção do tom “hawkish (jargão do setor para agressivo), em vez de “dovish” (suave), faz com que ele também aposte em alta de 0,5 p.p. na Selic.