15199242Brasília, 23 de julho – A redução da meta fiscal para quase zero derruba a Bolsa brasileira nesta quinta-feira (23) e provoca uma disparada na cotação do dólar em relação ao real, levando a moeda americana para perto de R$ 3,30 –por ora, maior nível desde março.

Às 10h25 (horário de Brasília), o dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha valorização de 2,14%, para R$ 3,296 na venda. No mesmo horário, o dólar comercial, usado no comércio exterior, avançava 2,13%, para R$ 3,295.

Na Bolsa, o principal índice de ações do mercado nacional, o Ibovespa, operava em baixa de 0,69%, para 50.565 pontos. O volume financeiro girava em torno de R$ 310 milhões.

Os ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) afirmaram na véspera que a meta de superavit primário foi reduzida de R$ 66,3 bilhões (1,1% do PIB) para R$ 8,7 bilhões (0,15% do PIB).

O governo também colocou um dispositivo que o permitiria incorrer em deficit de até R$ 17,7 bilhões, se as receitas extraordinárias decepcionarem. “Isso por si só é bastante negativo. A dívida pública só deve se estabilizar em 2018, se tudo der certo. Com isso, aumenta muito o risco de o país perder o grau de investimento”, disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil.

“A revisão das metas sugere que o [ministro Joaquim] Levy está perdendo força na condução da política econômica. O governo não está conseguindo corrigir os erros do passado. Além disso, o mercado de trabalho continua dando sinais de rápida deterioração”, completou Rostagno.

De forma geral, o corte na meta fiscal surpreendeu economistas, que viram um pessimismo preocupante (alguns viram exagero) do governo em relação à trajetória das contas públicas nos próximos anos, indicando a possibilidade da existência de algum “esqueleto” ou “pedalada” ainda desconhecida que precisará ser desfeita.

Para Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos, a decisão do governo deve ser recebida “com desconfiança pelo mercado, aumentando a percepção de risco com relação ao país”.

Além do cenário fiscal brasileiro, a queda maior que a esperada nos novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos também pressiona o câmbio na sessão. O indicador atingiu o menor nível em quatro décadas.