20141106080316725915oBrasília, 06 de novembro – O iminente reajuste da gasolina provocou uma corrida aos postos de combustíveis. Já insatisfeitos com a inflação alta, os consumidores tentaram minimizar um prejuízo certo nos próximos dias, abastecendo antes que chegue às bombas o aumento de até 5% nos preços dos combustíveis nas refinarias da Petrobras, autorizado pelo governo na terça-feira. Nos estabelecimentos de Brasília, o movimento subiu 10% de um dia para o outro, e a maioria dos clientes procurou encher o tanque.

O gerente do posto da Torre de TV, Rogério Frony, explicou que a venda média de 50 mil litros de gasolina aumentou para 55 mil após a notícia de que o combustível ficará mais caro. “A procura aumentou bastante. E os clientes querem saber quando e quanto será o aumento na bomba”, afirmou. João Calazans, de 66 anos, dos quais 33 como taxista na capital federal, mandou completar o tanque do seu carro. “Rodo 300 quilômetros em média todo dia e encho o tanque a cada três. O reajuste é péssimo para nós, acaba com o lucro”, lamentou ele, enquanto pagava R$ 150 ao frentista.

Corte de gastos
O técnico em edificações Jorge Luiz Souza e Silva, 42, é autônomo e roda de 100 a 150 quilômetros por dia para atender aos clientes. “Gasto entre R$ 250 e R$ 300 com combustível por semana. Moro em Sobradinho e viajo muito pelas cidades do DF. Com esse aumento, vou ter que reduzir algumas despesas em casa”, ressaltou. No posto onde abasteceu, na Asa Sul, o subgerente Dhones Cleiton registrou movimento e mais clientes “perguntando quando vai aumentar e querendo completar o tanque”.

A assistente de produção Cassia Lagares, 35, já dá como certo o reajuste. “A presidente da Petrobras disse que não vai anunciar, mas vai praticar”, comentou, se referindo ao único comentário feito por Graça Foster após a reunião do conselho da estatal, que deliberou sobre o reajuste, na terça-feira. “Tudo aumentou, menos o salário da gente. Moro em Valparaíso de Goiás, e carro é imprescindível, pois o transporte coletivo no DF é precário. O veículo virou ferramenta de trabalho. Quando o reajuste nos combustíveis chegar, vou ter que cortar lazer com a família para equilibrar as contas”, revelou.