Documento reúne sugestões de diferentes entidades do setor produtivo e visa orientar a tomada de decisões por parte do governador Ibaneis Rocha (MDB)

Correio Braziliense

Com a aproximação do prazo estabelecido para retorno de algumas atividades no Distrito Federal, conforme decreto publicado em 1º de abril, representantes do setor produtivo entregaram um plano para auxiliar no processo de reabertura do comércio. Em reunião com o governador Ibaneis Rocha (MDB), nesta quinta-feira (23/4), empresários apresentaram um protocolo para guiar as ações do Executivo local durante este período de pandemia.

O momento ainda é crítico e a flexibilização das medidas de isolamento social tem provocado controvérsias. A previsão é de que uma parte do setor produtivo volte a abrir em 4 de maio.

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), Francisco Maia, explicou que o documento inclui propostas que variam de acordo com o setor. “Acredito que seja melhor ter esse retorno mais cauteloso e orientado, do que o comércio continuar fechado, gerando prejuízos e aumentando o número de desempregados na cidade, que já é alto”, disse.


A recomendação é para que, no setor de beleza, os atendimentos ocorram apenas por meio de agendamento. Para o comércio varejista, que inclui shoppings, a sugestão é de que o horário de funcionamento não coincida com o período de movimento mais alto no transporte público. Algumas das orientações preveem que as portas fiquem sempre abertas e os espaços, ventilados.


Em bares e restaurantes, as diretrizes recomendadas são: funcionamento de 50% da capacidade do estabelecimento, abertura em horários específicos, limitação de acesso, uso de máscaras pelos funcionários, além da necessidade de manutenção das portas sempre abertas.
O presidente da Fecomércio-DF comentou que diversos segmentos apresentaram protocolo, mas ele acredita que apenas três conseguirão autorização para funcionar: shoppings, lojas de rua e salões de beleza. “O que realmente é mais sofrível são os restaurantes, mas não tem como reabrir ainda, principalmente os pequenos. Nossa impressão, nesse primeiro momento, é de que eles ficarão fechados”, afirmou Francisco ao Correio

O documento reúne observações com propostas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-DF), da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), da Federação das Indústrias do DF (Fibra), da Federação da Agricultura e Pecuária do Distrito Federal (Fape-DF), além da Federação das Associações Comerciais e Industriais do DF (Faci-DF). As sugestões ainda serão avaliadas pelo governador Ibaneis Rocha.


Funcionamento
Em coletiva de imprensa do Ministério da Saúde, na tarde de quarta-feira (22/4), Ibaneis declarou que os índices de contaminação pelo novo coronavírus no DF estão “dentro do controle e da previsão desde o início da pandemia”. A afirmação tem servido de base para o afrouxamento das medidas de restrição adotadas desde 14 de março.
Em 19 de março, o governo distrital decidiu suspender a abertura do comércio. Entretanto, uma semana depois, liberou o funcionamento de lotéricas, correspondentes bancários e lojas de conveniência. Desde então, outros setores conseguiram autorização para reabrir as portas, como bancos, lojas de móveis e eletroeletrônicos e óticas.


Na quarta-feira (22/4), o governador do DF decidiu mais uma vez flexibilizar as medidas de restrição e liberou o funcionamento de escritórios de advocacia, contabilidade, engenharia, arquitetura.

Em nota, o Governo do Distrito Federal (GDF) informou ainda que não definiu quais segmentos terão permissão para voltar a funcionar. A eventual retomada da atividade econômica será “fundamentada em avaliações de especialistas, critérios científicos e dados técnicos”, segundo o Executivo local.