download (1)Brasília, 03 de novembro – Os efeitos da conta de luz mais cara atingem desde o consumidor residencial, que paga a tarifa social subsidiada, até as grandes indústrias, com uso intensivo de eletricidade para produzir. Até 2018, o gasto apenas das indústrias associadas à Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) com o insumo será de R$ 20 bilhões. Significa um custo extra de 47% em relação ao valor médio pago nos últimos quatro anos. Para todo o setor industrial, o impacto adicional será de 22% no período, o equivalente a R$ 40 bilhões até 2018, ou R$ 10 bilhões por ano.

O peso maior será sentido pelas empresas que atuam no mercado livre, que terão de desembolsar R$ 32 bilhões a mais no período, diz a coordenadora de Energia da Abrace, Camila Schoti. Ela destaca que os setores que mais consomem energia, como produtores de alumínio, siderúrgicas e petroquímicas, são os mais impactados, pois a energia representa 40% do custo de produção desses segmentos.

São indústrias duas vezes prejudicadas. “Se, agora, essas empresas serão mais afetadas pelo aumento nos gastos, quando houve a queda nos preços de energia, por ocasião da MP 579 (medida provisória que mudou o marco regulatório do setor), elas também se beneficiaram menos, pois tiveram redução média de 7% na conta, enquanto que o conjunto de todos os consumidores teve queda de 20%”, conta.

Já há indústrias que preferem vender energia no mercado livre, que têm preços maiores, do que usar o insumo para aumentar a produção, ressalta Camila. A reversão desse cenário de preços elevados, explica, passa pela implantação de uma política que considere a energia como um fator de política industrial, “como ocorre em países que competem com o Brasil”, reforça.