IMG_06Brasília, 09 de julho – Eternamente crucificado como razão da impunidade no país, o chamado foro privilegiado entra nesta terça-feira (9/7) na pauta de prioridades do Congresso Nacional, como parte da agenda positiva para atender as demandas das ruas. O tema estava na lista de reivindicações entregue por representantes de movimentos sociais aos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no fim de junho, e deve ser votado hoje, separadamente, nas duas casas. Antes de ser uma resposta aos protestos, porém, o assunto mexe com muitos interesses políticos — inclusive, de quem vê a derrubada do benefício, agora, como meio de fugir do pulso firme dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em setembro do ano passado, o Correio revelou que, por conta do rigor do STF no julgamento do mensalão, muitos políticos mudaram de opinião sobre o foro. Quem antes defendia o benefício a favor da própria impunidade, passou a acreditar que ele restringe as possibilidades de recurso, permite um julgamento mais rápido dos réus e inibe o uso de vias protelatórias nas diversas instâncias da Justiça comum. Parlamentares que são alvo de investigações, ouvidos pela reportagem, coincidentemente estavam na ala dos que lutam para acabar com o chamado privilégio. Agora, com o apelo das ruas, o tema tornou-se quase unanimidade.

Correio Braziliense