20150128223642258258uBrasília, 29 de janeiro de 2015 – Elaborado como uma solução para a crise financeira enfrentada pelo Governo do Distrito Federal, o pacote de medidas batizado de Pacto por Brasília despertou, no brasiliense, apreensão e protestos. Sob o olhar da população, o aumento de uma série de impostos trará prejuízos aos negócios e à renda familiar. Para quem precisa arcar com as altas de IPTU, IPVA, telefone, gasolina e diesel, a redução nas alíquotas que incidem sobre alimentos, etanol e remédios não compensará. Praticamente todas as mudanças propostas pelo governador Rodrigo Rollemberg passarão a valer somente em 2016. No entanto, o contribuinte já se prepara para o arrocho.

A empresária Jussane Baldotto, 35 anos, mora no Lago Sul. Ela administra um prédio empresarial e conta que diversas salas do edifício estão desocupadas há meses. Ela teme que o aumento do IPTU e do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) prejudique ainda mais os negócios, pois pode desestimular tanto a compra de imóveis quanto o aluguel dos espaços. “Toda a população sente. Fiquei chocada com a iniciativa. Eu não sei como fazer para que os aumentos deixem de impactar nos meus negócios. Em estabelecimentos comerciais, o IPTU é mais caro. Quem trabalha no ramo, proprietário ou locatário, vai sofrer”, afirma.

A 20km da residência de Jussane, na Cidade Estrutural, a também empresária Norma Lúcia Rosa de Jesus, 52, vê as medidas de Rollemberg com cautela. Ela paga o IPTU da residência onde mora e de uma pequena distribuidora de salgados, que administra com a filha, em um estabelecimento alugado próximo de casa. “O preço (do IPTU) já está caro hoje. Eu tenho dificuldades em pagar e estou devendo algumas parcelas. Isso vai impactar diretamente nos meus negócios”, reclama. Norma conta que abriu a empresa porque tinha dificuldade para arrumar um emprego, principalmente por conta da idade. “Sustento quatro netos e não posso perder minha distribuidora.”

Norma criticou o GDF pela iniciativa. Para ela, partilhar a conta da crise com a população é tão ruim quanto dilapidar os cofres públicos. “O governo passado foi covarde por não pagar as contas, e o atual também, por aumentar os impostos”, dispara. Também morador da Estrutural, Josinaldo Firmino Soares, 21, conta que chegou recentemente de Alagoas, em busca de uma vida melhor, mas se surpreendeu com a situação de Brasília. “Eu trabalho como balconista e tenho medo de não conseguir algo melhor, pois sei que as medidas do governo vão pesar para todo mundo. Acho um absurdo. Quem devia pagar as contas é o governo passado. Onde eles estão?”, questiona.